PARCEIROS
Bags Ph Sound, In Ear Power Click, Musical Grellmann e Correias Basso.
MINHA
HISTÓRIA
Meu
nome é Marcio Eiras, brasileiro, nasci e me criei em São
Paulo.
Tive meu primeiro contato com música aos 4 anos de idade,
quando visitava minha tia-avó, que tinha um piano. Eu tinha
que lavar as mãos para tocar, e enquanto todos conversavam
em uma sala, eu ficava pendurado no piano tirando as primeiras
melodias de ouvido.
Eu
venho de uma família de músicos. Meu avô,
por parte de mãe, tocava acordeão . Meu tio é
contrabaixista, e foi casado com uma cantora. Minha mãe
estudou violão na época do auge da bossa nova, e
canta muito bem.
Por
parte de pai, minha tia-avó, aquela do piano, tinha influencia
erudita, e minha avó, assim como eu, tocava piano de ouvido.
Completando as influências, meu vizinho de praia, onde passei
toda a minha infância e adolescência, era o maestro
Luís Arruda Paes, por quem eu fui muito incentivado, e
com quem eu tive uma grande amizade. Eu passava muitas noites
ouvindo boa música e conhecendo grandes músicos
como: Os Três do Rio, maestro Zezinho entre outros.
Notando
essa minha facilidade com as melodias, meu pai passou a me incentivar.
O primeiro passo foi comprar o piano da minha tia, que se mudara
para um apartamento menor. O segundo, foi me matricular em um
conservatório. Saíamos eu e meu irmão mais
velho (e único irmão, que também tem um excelente
ouvido para música), para aula de piano. Enquanto meu irmão
lia as partituras com atenção, eu apenas ouvia a
professora tocar e depois repetia a música de ouvido, fingindo
olhar a partitura. Fingi, fingi, até que fui desmascarado
pelo meu pai que uma vez, cobrindo o nome da música, pediu
para que eu tocasse a mesma. Eu ainda argumentei que não
poderia tocar sem saber que música era, mas o fato é
que era o fim das aulas de piano.
As
festas lá de casa eram sempre ao som de boa música
ao vivo. Minha tia-avó fazia a sessão de chorinhos,
clássicos e tangos no piano, e meu tio e sua turma de músicos
fechava com MPB e bossa nova. Assim eu estava conhecendo, de graça,
a música que mais tarde me influenciaria. Eu disse mais
tarde, pois eu não seria um típico adolescente se
não começasse minha história gostando de
rock, e quando falo rock não me refiro a Beatles ou Stones,
eu falo de Black Sabbath, AC/DC, Kiss, Iron Maiden e principalmente
Van Halen, as bandas que infernizaram os anos 80.
Eu
nunca vou esquecer quando assisti meus vizinhos da praia tocando
coisas como Santana no fundo de uma garagem. Eu fiquei hipnotizado
com a bateria, tão hipnotizado, que anos mais tarde ganhei
uma. Posso dizer que foi com ela que entrei no mundo das garagens.
Montava bandas, ganhei festivais de colégio, e foi numa
dessas bandas que me apaixonei pela guitarra. Era só o
guitarrista, muito bom por sinal, dar uma “paradinha”,
que lá ia eu, dar uma “palinha”. A bateria
era legal, mas não supria as minhas necessidades musicais.
Eu queria fazer solos, a guitarra seria ideal. Então tive
que convencer meu pai de que dessa vez era pra valer. É
claro que ele não acreditou, e foi do meu tio que ganhei
a primeira guitarra, uma Phelpa Coronado, que tinha interruptor
de luz para acionar os pickups.
Meu
tio Karlãum, contrabaixista, me dava fitas de Jazz para
escutar, sons como: Oscar Peterson, Stanley Clarke, Billy Choban
, George Benson, Banda Black Rio e sempre que podia, me levava
para ver os seus ensaios com Pery Ribeiro, Célia, Claudia,
Cauby Peixoto, entre outros cantores que ele acompanhava. Eu não
entendia muito o que estava acontecendo nas fitas, os improvisos
e harmonias complexas ainda eram distantes da minha compreensão.
Foi assim o meu primeiro contato com o jazz instrumental.
Uma
das coisas marcantes na minha vida musical, foi quando vi o Ulisses
Rocha tocando em duo com Heraldo do Monte (hoje, tenho orgulho
de ser amigo desses dois músicos). Aquilo era maravilhoso,
virtuoso, técnico e principalmente brasileiro. O rock perdeu
seu encanto naquele momento. Lembro que ensaiava horas com meu
irmão algumas músicas instrumentais com dois violões,
tentando imitar o duo que tanto me impressionara.
Outros
dois caras que me inspiraram e me incentivaram muito foram os
guitarristas Eder Sandoli e Jimmy Conway. Eles eram meus amigos
da praia, e formavam uma dupla incrível(até hoje
toco as composições deles). Passei então
a ter aulas com o Éder, que além de ser responsável
pelo meu primeiro contato com teoria musical, me apresentou formalmente
o Jazz. Daí pra frente tudo se encaminhou naturalmente,
as influências começaram a vir à tona, eu
ainda era adolescente com 14 anos, mas fui ao show de Caetano
Veloso.
Troquei
Van Halen por George Benson, uma das minhas principais influências,
ganhei festivais de colégio, prêmios individuais,
mas nunca voltei em uma escola de música. Até tentei
fazer aula particular ou conservatório, mas foi pegando
um toque aqui e outro alí que fui me definindo musicalmente.
Tudo
parecia calmo aos meus 15 anos, quando ouvi o guitarrista americano
Stanley Jordan, que na verdade pareciam dois guitarristas tocando
juntos. Aquilo não saía da minha cabeça.
Fiquei em casa tentando descobrir como era, pois, eu apenas tinha
ouvido alguns minutos em uma fita.
Eu
era muito novo, e não podia ficar saindo à noite
para tocar, então ficava o dia inteiro com a guitarra tentando
fazer a harmonia e melodia ao mesmo tempo, como se a guitarra
fosse um piano. Algum tempo se passou, e uma vez em uma loja de
música, “Pai do Rock”, testando uma guitarra,
o dono, hoje meu amigo Melo, perguntou o meu nome, aonde eu tinha
estudado, se fazia shows, pois ele iria fazer um encontro de guitarristas
em São Paulo, e gostaria que eu participasse. Esse festival
“Pai do Rock Guitar Festival” foi uma alavanca para
minha carreira.
Com
o argumento do festival, fui ao programa do Jô Soares para
mostrar minha técnica, e assim, o Brasil todo, ou pelo
menos a classe musical, ficou sabendo que havia um brasileiro
que tocava daquela maneira. No festival, conheci vários
guitarristas como Mozart Melo, Faiska, Tomati, Kiko Loureiro,
alguns mais velhos outros da mesma idade, mas todos se tornaram
amigos, inspiradores e incentivadores uns dos outros.
Mais
tarde, com a técnica bem mais apurada, fui atrás,
ou melhor, meu pai foi atrás da minha fonte inspiradora.
O contato com Stanley Jordan seria a minha única chance
de aprender alguma coisa nova, e também de mostrar o que
eu havia aprendido. O encontro se consolidou, tocamos, conversamos,
peguei toques importantes em relação à postura,
concentração, mostrei a música brasileira
à ele, ficamos amigos e ganhei respeito dele e de todos
que souberam do nosso encontro. Houve um segundo encontro alguns
anos mais tarde, no qual eu fiz uma entrevista por uma revista
de guitarra, tocamos bastante, mostrei mais uma vez a nossa música
e realmente o impressionei, e dessa vez, tudo registrado.
Conheci
o gaitista Clayber de Souza em um bar em São Paulo, e ao
me ver tocar não hesitou em me fazer um convite para um
trabalho. Montamos uma dupla chamada “Cara e Coroa”,
que tinha sempre um baterista convidado. O som era bossa nova,
jazz e blues e curiosamente não tinha contrabaixo, pois
eu fazia a parte do contrabaixo na guitarra. Após meu encontro
com Stanley Jordan, passei a tocar com duas guitarras simultaneamente.
Ligadas a dois sintetizadores, elas produzem sons diferenciados
como sons de piano, flauta, contrabaixo e etc. O que já
era diferente passou a ser impressionante em virtude das duas
guitarras. Com meu amigo Clayber, aprendi muitas coisas das que
sei hoje. Fazíamos um show muito diferente, brasileiro,
tínhamos um empresário e fizemos inúmeros
programas de TV, incluindo o programa do Faustão, que me
chamou de centopéia por tocar com duas guitarras.
A
dupla não durou muito, pois o mercado foi invadido por
modismos e nos rendemos. Inspirado por uma fase amorosa, comecei
a compor músicas e letras, cantar, coisa que já
fazia modestamente aos 16 anos, só que dessa vez no piano.
Entrei em um festival e além de ganhar o prêmio de
melhor guitarrista, cantei, e a minha música ficou em primeiro
lugar.
Um
dos jurados era do grupo Rádio Táxi, que estava
assinando com uma gravadora, e ao final do festival, me convidou
para fazer parte da nova formação do grupo(confira
as fotos no menu “Galeria” da pág. principal).
Fiz uma participação relâmpago, mas que foi
muito produtiva. Fiz inúmeros programas de TV como Gugu,
Ratinho,cantei para 40 mil pessoas e principalmente conheci o
outro lado da música, as grandes gravadoras, rádios
e toda a sujeira que envolve os bastidores.
Continuei
com o meu trabalho, sempre divulgando a música brasileira.
Tive várias formações para Trio ou Quarteto.
Toquei com cantoras, cantores e artistas. Destaco a minha amiga
Bibba Chuqui, e o grande mestre Dominguinhos. Voltei ao programa
do Jô , tocando duas guitarras, impressionei o “gordo”
e fiz o mesmo com Amaury Jr, Sergio Groisman e Luciano Huck.
Fui
semi finalista do “1 Prêmio Visa de MPB instrumental”,
que inclusive foi o maior incentivo para a gravação
do meu primeiro CD. Estive duas vezes na Europa, e em 2003, além
de uma apresentação memorável na Áustria,
fui músico destaque da feira de Frankfurt na Alemanha.
Hoje,
meu principal trabalho é o meu trio “GangJam”,
onde junto com o baixista Carlinhos Noronha e o Baterista e cantor
Paulinho Lima , realizei o sonho de ter uma banda onde todos tocam,
cantam e fazem arranjos. A banda em seus quase dois anos de formação,
já acompanhou vários artistas como: Bocato, Mariza
Ótis, Silveira, Patricia Coelho, Davi Fantazini e Rouge.
Nessa
minha pequena carreira não posso deixar de citar algumas
passagens importantes com artistas como Ivan Lins, João
Donato, Toninho Horta, Laércio de Freitas, Bocato, Mozart
Melo, Amilton Godoy, pessoas que eu passei momentos musicais inesquecíveis.