MINHA VIAGEM PELA EUROPA

Minha viagem pela Europa começou na Alemanha. Fomos no mesmo vôo, eu, o Ney Nakamura, o Sr. Tagima, , e conosco, uma grande ansiedade e orgulho de estar levando pela primeira vez, a marca Tagima, para o mercado mundial.

Ferrari conversível em Frankfurt

Eu já estive em Frankfurt duas vezes, mas desembarcar na Alemanha é sempre muito interessante.

Começando pelo o fantástico aeroporto, e a parte mais divertida para nós brasileiros, pegar um taxi para o hotel. A frota é toda composta por Mercedes, equipado com G.P.S., que uma vez acessado, indica o caminho correto do destino.

Os motoristas geralmente com um inglês impecável, e sem falar na auto-estrada, em algumas delas, não há velocidade máxima permitida, sendo assim, ser ultrapassado por Porshes, Ferraris ou Audis a mais de duzentos km por hora é uma coisa corriqueira.

Para essa primeira aparição na Musik Messe, a maior feira de instrumentos musicais do mundo, contamos também com o apoio de um alemão, da região da Floresta Negra, chamado Uwe, que em nosso primeiro contato, já foi apelidado carinhosamente de Uva. Uwe tem uma pequena loja em sua cidade, com uma parte dedicada aos instrumentos Tagima, aumentando assim a expectativa de contatos durante a feira.

Uwe,Tagima, Kiko e Marcinho em frente ao estande

A Messe, ou seja, o centro de convenções, é muito grande, e é nesse mesmo espaço que se realiza o glamoroso salão do automóvel de Frankfurt, e também a famosa feira do livro.

Multiplique o nosso Anhembi por cinco, adicione duas estações de trem e duas de ônibus, é mais ou menos esse o tamanho da Messe.

O nosso estande ficou no pavilhão 4.0, que é onde também se encontravam as grandes marcas como: Fender, Gibson, Peavey, Ibanes e a Marshall, que esse ano contou com a presença do próprio Jim Marshall, o criador da marca.


Marcinho e Nico McBrian do Iron Maiden

Jeff Beck, Nico McBraian (Iron Maiden) e Michael Angelo, circulavam tranqüilamente pela feira que só é aberta ao público no último dia.

Na parte de fora dos pavilhões, foi montada uma arena enorme para apresentações, destacando o show de Joe Satriani.

A Yamaha, como no ano passado, tinha seu próprio pavilhão, uma espécie de YamahaWorld, com uma decoração diferenciada, e com estúdios ultra modernos.

Para a nossa alegria, um dos nossos vizinhos de pavilhão, era a brasileiríssima Meteoro, que com seu fiel e simpático escudeiro Zé Luís, também estava se aventurando pela primeira vez no disputado mercado mundial.

 

Sr.Tagima, Marcinho e Uwe - montagem do estande

Chegamos dois dias antes do início da feira para prepararmos o estande, bem como se acostumar com o fuso horário de cinco horas para mais.

Levamos cerca de quarenta instrumentos que tiveram de ser revisados um a um , em virtude da grande diferença de temperatura, que faz com que a madeira trabalhe, alterando completamente a regulagem dos mesmos.

Montamos o estande praticamente em um dia inteiro de trabalho duro, e aguardávamos a chegada do Kiko Loureiro, que já estava na Europa gravando seu CD solo, para assim completar o nosso time.


A Musik Messe começou em uma Quarta-feira bem fria, mas que esquentou rapidamente devido ao grande número de visitantes no nosso estande, que estava sempre cheio, principalmente durante as nossas apresentações. Comecei me apresentando sozinho, como fiz o ano passado todos os dias
representando a Santo Ângelo na mesma feira.

Eu simplesmente começava a tocar as duas guitarras ao mesmo tempo, e logo um expressivo número de espectadores se aglomeravam curiosos, formando um arco em volta do estande.

Marcinho e Kiko Loureiro

Eu e o Kiko passamos então a tocar juntos, fazendo curtas apresentações, para termos estrategicamente uma maior circulação, bem como dar mais espaço para os visitantes.

A vantagem do Kiko Loureiro em relação a maioria dos guitarristas de rock, é que ele toca de tudo, sendo assim, pude manter o meu repertório voltado a música brasileira que faz muito sucesso por lá, e ainda tocar muito Jazz e alguns Funks.

Pelo segundo ano, usei o incrível e compacto amplificador A.E.R mod. Dominó, importado pela Sonotec aqui no Brasil, enquanto o Kiko usava um Angle valvulado de 100W, ambos emprestados por expositores locais.

Kiko, Decebal Badila e Marcinho

Contamos com a presença diária do virtuoso baixista romeno, radicado na Alemanha, Decebal Badila, que tocou em quase todas as nossas apresentações. Tivemos também a canja inusitada do baixista do Gama Ray, que agora está usando contrabaixos Tagima.

Tony Ozanah, que tocava com Raul Seixas, Pedro da Playtech, Flavio da Gianinni, o pessoal da Staner e da Nig também apareceram para uma visita.

Fomos visitados pelo mundo inteiro, diferentes figuras e sotaques, se apresentavam sempre em inglês, uma vez elogiando as guitarras, outra perguntando sobre as mesmas, e não diferente da feira do Brasil, as vezes apareciam aqueles “malas”, que com o velho pretexto de estarem interessados nos instrumentos, passavam horas arranhando clichês do Nirvana e outras famosas firulas de rock and roll.

Outra detalhe igual a Expomusic do Brasil, são os Fiscais de Som, mas dizer “igual” é ironia, pois são muito mais educados e tolerantes. Apesar do nosso som não ser alto, quando eles apareciam, eu rapidamente tocava uma canção e ninar, utilizando um som de caixinha de música do meu sinth, estratégia que rendia gargalhadas de todos, inclusive dos fiscais.


No segundo dia da feira, o cônsul do Brasil na Alemanha, oferece dentro do consulado, uma recepção para todos os brasileiros expositores e visitantes. Marcando presença o pessoal da Hering, RMV, Meteoro, Odery, Gianinni, Warm Music, entre outros brazucas, e no cardápio: pão de queijo, salgadinhos, caipirinha, guaraná e outras guloseimas que não se encontram por lá. Levamos os instrumentos, e acabou rolando uma Jam Session comigo na guitarra, Kiko e Zé Luís no Baixo, e alguns percussionistas de plantão.

Sr. Tagima - mãos à obra!

Voltando a feira, considero de uma importância impar, a presença do Sr. Tagima no nosso estande, pois era como se o Pai de todos aqueles instrumentos estivesse alí olhando por eles, e gerando assim um grande respeito, e aumentando consideravelmente a credibilidade em relação a marca.

O nosso outro grande trunfo, talvez o mais importante, era a tão cobiçada madeira brasileira. Lembro que uma vez tocando na Itália, antes da performance de uma violonista, ela apresentou a todos o seu belíssimo violão, destacando ser construído com madeira brasileira.

O nosso Brasil para eles é exótico e muito distante. Nesse ano, se tornou uma marca na Europa inteira. Antigamente encontrava-se rapazes vestindo apenas o uniforme da seleção brasileira ou roupas com menções ao nosso futebol.

Hoje é comum encontrar em lojas de “Grif”, sessões dedicadas ao nosso país, e jovens vestidos inteiros de verde amarelo, com bandeiras brasileiras, muitas vezes de ponta cabeça, e com camisetas escrito São Paulo ou Rio de Janeiro. Curiosamente, o mesmo acontece com a Jamaica.

Conversando com o Ney após a feira de Frankfurt, tive a impressão, que para a primeira aparição dos instrumentos Tagima em uma feira dessa importância, o resultado foi muito positivo. Com essa primeira experiência, agora podemos melhorar muito os instrumentos para exportação bem como as estratégias de venda e marketing, em função do exigente do mercado mundial.

Quanto a minha participação, fiquei muito satisfeito, acho que ajudei bastante não só no sentido artístico ou musical. Muito me orgulha ter presenciado esse momento tão especial, e ver a marca Tagima que é tão importante e sólida no Brasil, jogar sua primeira semente no mercado exterior. Minha viagem pela Europa continua na Escandinávia, Alemanha e finalmente Itália.