MINHA VIAGEM PELA ESCANDINÁVIA E LAPÔNIA

Após uma semana na Musik Messe, em Frankfurt na Alemanha, segui viagem rumo a Escandinávia.Quando viajo por longas distancias na Europa, costumo pegar trens noturnos com a opção de Vagão–Dormitório , pois assim chego no destino pela manhã descansado, facilitando

Trem rápido em Berlin

muito o primeiro contato com o novo lugar.

Viajar de trem pela Europa, é uma diversão à parte.

Em grandes capitais por exemplo, as estações são muito modernas, com trens que rápidos como o Eurostar, que atravessa o Canal da Mancha e o ICE, que é muito comum na Alemanha.

Trens como esses podem ultrapassar os 350km/h, e dispõe de: restaurante, dormitório, vagão para animais, T.V., acesso à internet, área de fumantes, e sem contar as paisagens inesquecíveis.


Viajar de trem na Suíça por exemplo, é como estar assistindo um programa da National Geography.

Comecei a viagem da Escandinávia pela Dinamarca, Copenhague, uma capital incrível, cheia de

Canais de Copenhague

canais, entrada do mar Báltico, com mais de 400 ilhas até o Mar do Norte.

Conheci um israelita muito legal chamado Saji, com quem dividi um quarto no hotel onde fiquei. O tempo não nos ajudou muito nos passeios pelos canais, muita garoa , neve e consequentemente um frio absurdo.

A cidade é pequena , porém muito povoada. Uma boa pedida além do tradicional passeio de barco, é caminhar pelo centro, nas ruas onde ficam as lojas.

Centro de Copenhague

No centro de Copenhague encontra-se a Cristiana’s Square, uma praça muito louca e curiosa, onde você encontra alguns hipies, e o consumo de drogas é permitido, ou ao menos tolerado.

A cidade ainda conta com um porto moderníssimo, contrastando com sua arquitetura de casas e embarcações antigas dispostas ao redor dos canais.

Após quatro dias da Dinamarca, segui para Oslo, capital da Noruega.

Graças a união européia, ficou muito mais fácil viajar pelo continente europeu, mas isso não serve para a Noruega.


Dentro do trem fui abordado por um policial federal, que me fez inúmeras perguntas, me fez abrir minha mochila para conferir minhas bagagens, mostrar minhas economias, e ainda algumas fotos que eu havia tirado tocando na feira de Frankfurt, para comprovar que eu realmente era um profissional. (Dessa vez ainda me sai bem melhor do que no ano passado na Eslováquia, onde fui tirado do trem em plena madrugada fria, por não ter visto de fronteira; mas isso é uma outra história).

A Noruega é um país muito rico e tem o mar, como sua maior fonte de renda. A qualidade de vida diz-se ser das melhores do mundo, mas em compensação e as coisas por lá, especialmente para nós brasileiros, são muito caras.

No extremo norte, em Bergen , ficam os Fiords, montanhas enormes , em meio a canais super estreitos, proporcionando um cenário fantástico.

Porto de Oslo

Fiquei em um albergue ao norte de Oslo, bem distante da estação central, tendo assim que cruzar

a cidade inteira de ônibus para chegar ao centro. Tudo muito limpo e bonito, mas a grande atração sem dúvida é o porto, onde fica o belíssimo prédio da prefeitura, e ao lado, um maravilhoso castelo, de onde pode-se ver todo o porto de Oslo e parte da cidade.

Visitei além do Palácio Real, o Parque das Estátuas, uma área verde com muito turistas e centenas de estátuas por todos os lados.

Fim de tarde em Oslo

No final de tarde assisti um show de uma banda americana de blues, que tocava dentro de um barco, de graça, para uma multidão em volta do cais.

Dois dias na Noruega, e segui para Suécia, Estocolmo.

Ainda na estação de trem de Oslo, conheci dois brasileiros, uma daquelas coisas que só acontecem comigo e vale a pena contar.


Hotel Barco


Abordei-os após ouvir algum português, me apresentando, e contando um pouco sobre minha viagem, e eles fizeram o mesmo.

Na Suécia nos juntamos e decidimos procurar por hotel juntos.

Curiosamente existem alguns hotéis montados em barcos, e depois de muitas voltas pela cidade, nos hospedamos em um deles.

A vista do meu quarto, ou melhor, da minha cabina era incrível, e no barco ao lado, que pertencia ao mesmo hotel, encontrava-se a recepção, um restaurante e algumas outras cabinas.

Um dos brasileiros que eu encontrei, o Tucci, de São Paulo, resolveu ligar para o pai, e contar que encontrou um guitarrista e coisa e tal.

Para a nossa surpresa, o pai dele já me conhecia, pois é um apaixonado por guitarra, freqüenta a nossa feira da música, e consequentemente já havia me escutado por diversas vezes.

Tucci, Marcinho e Jugs

Isso fez com que nos tornasse-mos mais amigos talvez, mas na verdade os dois, Gustavo, Jugs e o Marcelo, Tucci, realmente eram muito especiais, e passamos então a viajar juntos.

Estocolmo na minha opinião é a capital mais bonita da Escandinávia.

A cidade é construída em volta do mar Báltico, com inúmeras pontes, de onde pode-se ver toda a cidade.

As ruas são extremamente limpas, o centro impecável, as pessoas educadas, tornando um passeio a pé, um programa inesquecível.

Estocolmo

Aproveitamos e fomos de trem para o norte conhecer a maior catedral da Escandinávia, que fica numa linda cidade chamada Uppsala.

Apesar da catedral ser o principal atrativo turístico, o que mais nos chamou atenção na cidade, foi a enorme quantidade de bicicletas ao lado da estação de trem, um verdadeiro mar de bikes.

Na segunda noite, toquei no barco, reunindo toda a tripulação, hospedes, além de outros convidados de fora. Italianos, franceses, australianos, alemães, brasileiros e suecos fizeram a festa.

Mar de Bicicletas

Não posso deixar de mencionar os nossos anfitriões Hauke e Mia, dois suecos muito simpáticose carinhosos.

Cantei e toquei coisas do Brasil, bossa nova, MPB, e uns choraram, outros se apaixonaram ,mas o fato é que não paguei mais a minha hospedagem, e nem mais o café da manhã no barco.


 

Noite no Barco

A balada se repetiu na noite seguinte, com mais convidados ainda, e a conseqüência, foi uma triste despedida na manhã seguinte rumo a Finlândia.

Para chegar a Finlândia, é necessário pegar um navio, só não esperávamos que fosse um transatlântico.

Eu viajava com um Escandinavian Pass, que me dava direito a todos os transportes na Escandinávia, enquanto meus amigos usavam o Euro Pass , que lhes dava o mesmo direito, mas um transatlântico totalmente “na faixa” já era demais.

Shopping, cassino, casa de shows, bar, balada, show com bailarinas russas, piscina, saúna, e como se não bastasse, alguns cariocas faziam uma espécie de recreação para as crianças a bordo.

Transatlântico

Aproveitamos tudo o que era possível no navio, menos a nossa luxuosa cabina, pois varamos a noite no quarto dos cariocas tocando e comendo de graça.

Helsinque, a capital da Finlândia tem curiosamente a maior concentração de loiros do mundo, sendo assim , eu era apenas mais um.


O povo é simpático, a cidade é linda porém muito fria, separada da Rússia pelo golfo da Finlândia, que no ano passado pela primeira vez uniu os dois continentes, ficando totalmente congelado.

 

Lago congelado

Fomos a uma ilha próxima ao continente, onde se encontra um forte, que protegia a Finlândia dos invasores, principalmente russos , na época da guerra.

Um contraste incrível, com mar, pedras, neve, lagos congelados, além das ruínas do castelo, que hoje abriga uma espécie de centro cultural, com escolas de música, estúdios de gravação, museus e uma vila.

Fizemos uma tour pela cidade, e fomos parando nos lugares que achávamos interessante, mas

Portão do Castelo

por uma grande coincidência acabei decidindo o meu próximo destino.

Tive que ir ao aeroporto internacional de Helsinque resolver uns problemas, e na volta no ônibus, conheci um Lapão, ou seja um habitante da Lapônia, onde passa o Circulo Polar Ártico, e onde se encontra o famoso hotel de gelo, a cidade do Papai Noel, Renas, Iglus ,e não demorei para convencer meus amigos a me acompanharem em mais essa empreitada.

Pegamos o trem noturno, e no dia seguinte acordei em um verdadeiro mar de neve.

Fomos direto para Rovaniemi, a cidade do Papai Noel, conhecer a vila que mais parece as de contos de natalinos.

Vila do Papai Noel

Apesar de não ser natal, lá estava árvore enorme, as renas, trenós, e ninguém mais, ninguém menos do que o velho e bom Papai Noel original, que nos recebeu com o famoso sorriso.

Existe um serviço de correio onde você paga, deixa seu endereço, e recebe no dia do natal, uma carta do Papai Noel com selo do Pólo Norte, e é nesse mesmo lugar, que chegam as cartas do mundo inteiro para o ele.

Na região da Lapônia, acontece um dos mais incríveis fenômenos da natureza, a Aurora Boreal, que também conta com um serviço especial para avisar os habitantes através de “pager” ou celular, quando ocorrerá o tal fenômeno.

Durante o inverno dias inteiros de escuridão e no verão dias inteiros de luz, o sol da meia noite.

Passear pelos campos nevados de Rovaniemi, é realmente inacreditável. Visitei a fazenda de

Abrigo Lapão

Renas, bem como os abrigos decorados com peles das mesmas.

Um atrativo a parte, são os cães da raça “Husky”, que em matilhas, puxam os trenós, e podem ser apreciados em um cercado que fica próximo a vila.

Andando pelas trilhas nevadas, encontramos a linha imaginária referente ao Círculo Polar Ártico, alguns iglús, e o fantástico castelo de gelo.

A sua parede foi construída com blocos enormes, mas com o verão se aproximando, já começa a derreter, comprometendo assim a segurança dos visitantes.

Acho que a parte mais incrível da nossa visita a Lapônia, foi quando cruzávamos uma ponte com mais de 300 metros, e notamos lá embaixo, uma família pescando tranqüilamente sobre o rio completamente congelado. Abordamos a família extasiados, pois achávamos que tal pescaria, só era possível em desenhos animados.

Pescaria sob rio congelado

Eles tem uma ferramenta manual, que é uma espécie de broca para fazer o furinho, e com uma vara bem pequena, apenas soltam a linha que atravessa o gelo com ajuda de uma chumbada na ponta.

Ficamos quase uma hora, tentamos a sorte sem sequer um beliscão, e vimos o velho lapão pegar uma bela truta bem debaixo dos nossos narizes.

O nosso dia terminou na divertida estação de esqui, na qual tentei a sorte esquiando, sem muito sucesso, mas depois mostrei toda minha base do surf descendo de “snow board” com estilo, com direito a manobras e é claro tombos memoráveis.

Half Pipe de neve

Veja mais fotos na Galeria.
Minha viajem continua pela Alemanha e Itália